quinta-feira, 24 de maio de 2012

Como início das postagens nesse espaço, quero incitar uma reflexão sobre a ideia de história que temos hoje. Uma das primeiras observações que se faz ao pensar sobre história é a de que ela é o conhecimento do passado. Portanto, a tarefa dos historiadores seria o de recolher, identificar e portanto, tornar público aquilo que já se viveu. Afinal, o passado é um traço característico da nossa identidade humana. Pensar história nesse sentido é compreendê-la como uma disciplina sem utilidade, já que "do que me interessa estudar o passado se já passou?", frase corriqueira na boca de muitos alunos. Por outro lado, e não menos problemático, é a ideia de curiosidade. "História é muito interessante", "adoro história", vindo em seguida a obeservação: "adorei o filme 300 de Esparta porque retrata bem como era". Logo, a história é odiada pela falta de presentismo (sem utilidade para o cotidiano) ou é uma disciplina que serve somente para entreter (portanto sem finalidade também).

Ensinar história é, sobretudo, uma trabalho difícil, pois requer que o aluno consiga indentificá-la como útil para a sua vida, assim como a matemática e o português. Mas como fazer isso?

TEXTO QUESTÃO 1


Começarei a relfexão sobre história, contando uma história.


Aldaci, tinha 35 anos, trabalhava como pedreiro. Era bem característico da sua rotina, sair de casa cedo para trabalhar na obra de um dos primeiros prédios de Fortaleza. Estava orgulhoso em fazer parte da construção, daquilo que seria o primeiro arranha-céu da cidade. Afinal, um imigrante do sertão, que veio tentar a vida na cidade grande deveria ter orgulho do trabalho que fazia, da ajuda que iria dar para que a cidade chegasse aos esplendor do progresso. Além disso, Aldaci gostava muito de lembrar da sua terra natal, Morada Nova. Para isso, sempre que dava, pedia aquela buxada acompanhada de uma ardente. Lembrava sempre das características de onde veio: cercado, casa com alpendre e a água que só tinha porque diariamente era trazida nas ancas do jumento do rio Banabuiú, local difícil, mas cheio de lembranças para ele. Trouxe de Morada Nova, quando chegou em Fortaleza com 25 anos, um vocabulário diferente do falado na cidade. levantar, falava arribar. Procurar, falava caçar. Aos poucos foi se adapatando a diferente vida da metrópole que Fortaleza estava se tornando. Contudo, em determinado dia de trabalho acontece um grave acidente com Aldaci. Cai em sua cabeça um tijolo que o faz ficar em Coma durante muito tempo. Após 20 anos, Aldaci acorda do Coma mas desconhecendo a si mesmo. Não sabe mais andar, comer, não tem referência na qual possa ter suporte. Quando recebe alta do hospital, enxerga uma cidade com muitos prédios, altamente movimentada, estranha. Sua filha, ao perceber que o pai estava completamente desorientado com aquilo tudo, tem um ideia. Resolve selecionar uma série de documentos sobre a vida dele e explicar um pouco da sua história a partir daqueles vestígios deixados. Um dos primeiros documentos que a filha lhe mostrou foi sua certidão de nascimento, comparando-a com um mapa da cidade onde foi registrado e foto dos seus pais. Assim, sua filha foi construindo para o seu pai uma história da vida que ele viveu, a partir daquilo de material que tinha deixado. Construindo novas referências para ele. Aldaci compreendeu que a sua história não ia ser lembrada nunca mais tal e qual aconteceu, mas começou a perceber que era possível ter acesso a sua história a partir daquilo que ele deixou, apesar de não ser a mesma, mas uma história criada e notada pela sensibilidade do olhar daquele que estava contando, no caso sua filha.

Quem seríamos, o que pensaríamos se não fosse a história?

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